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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dislexia: dicas para os professores


        
Dislexia

          Reflete na dificuldade de aprendizagem na qual a capacidade de uma criança, para ler ou escrever está abaixo do seu nível de inteligência. A mesma pode ser caracterizada como uma insuficiência para assimilar os
símbolos gráficos da linguagem.
          Sua origem é congênita (nata) e hereditária e seus sintomas podem ser identificados logo na pré-escola, em crianças que demoram para começar a falar ou trocam os sons das letras e têm dificuldades para aprender a ler e escrever.
          Nos indivíduos que não possuem dislexia, a área esquerda do cérebro é a responsável pela percepção e pela linguagem, subdividida em três partes: uma que processa fonemas, outra que analisa as palavras e a última que reconhece as palavras.
          Essas três partes trabalham em conjunto e dão capacidade para que os indivíduos aprendam a ler e escrever. As crianças conseguem realizar essa tarefa apenas quando reconhecem e processam fonemas, memorizando as letras e seus sons. Com o tempo e o desenvolvimento da criança na leitura e na escrita, sua memória permanente começa a ser construída, o que faz com que ela reconheça as palavras com mais agilidade e sem grande esforço.
          As crianças disléxicas possuem falhas nas conexões cerebrais. Elas podem contar apenas com a região do cérebro responsável por processar fonemas e sílabas, enquanto a área responsável pela análise de palavras, não exerce a sua função. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser
nova e desconhecida. Para simplificar, pode-se dizer que a dislexia é causada por alterações nas áreas do cérebro responsáveis pelos sons da linguagem e do sistema que transforma o som em escrita.
          Esse distúrbio é confundido com frequência com outros problemas de adaptação escolar como os atrasos de desenvolvimento e a deficiência mental ligeira, afinal, a criança disléxica tem dificuldades em compreender o que está escrito e de escrever o que está pensando. Quando tenta expressar-se no papel, o faz de maneira incorreta e o leitor não compreende as suas ideias.
         Abaixo você pode ver algumas das características mais encontradas por crianças que têm dislexia:

ü fraco desenvolvimento da atenção;
ü falta de capacidade para brincar com outras crianças;
ü atraso no desenvolvimento da fala e escrita;
ü atraso no desenvolvimento visual;
ü falta de coordenação motora;
ü dificuldade em aprender rimas/canções;
ü falta de interesse em livros impressos;
ü dificuldade em acompanhar histórias;
ü dificuldade com a memória imediata e a organização em geral;
ü a pronúncia ou a soletração de palavras monossilábicas é uma dificuldade evidente;
ü inversão de palavras de maneira parcial ou total Exemplo: A palavra “casa” é lida como “saca”;
ü inversão das letras e números. Exemplo: “p” por “b”; “3 por “5”;
ü alteração na ortografia em função de alterações no processo auditivo;
ü cometem erros na separação das palavras;
ü dificuldades em distinguir esquerda e direita;
ü alteração na seqüencia das letras que formam as sílabas e palavras;
ü dificuldades na matemática;
ü pobreza de vocabulário;
ü escassez de conhecimentos prévios (memória de longo prazo);
ü falhas na elaboração de orações complexas e na redação espontânea;
ü copiam as palavras de forma errada mesmo observando na lousa como são escritas.

          Além disso, os disléxicos também sofrem com a falta de rapidez ao ler. Sua leitura é sem ritmo e, muitas vezes e com muito sacrifício, decodificam as palavras, mas não conseguem compreendê-las.
         As características colocadas acima não são suficientes para se fechar um diagnóstico a respeito da dislexia, afinal, existem outros distúrbios de aprendizagem que também possuem elementos parecidos, no entanto, elas podem ser usadas como um ponto a partir do qual se é levado a procurar a ajuda de profissionais especializados e buscar formas de superação.
         A dislexia é responsável por altos índices de repetência e abandono escolar. A ausência de conhecimentos dos professores contribui para uma evasão escolar e o agravamento dos problemas enfrentados pelas crianças. Essas são incompreendidas em seu fracasso e não valorizadas em suas tentativas vãs para superar suas dificuldades, desenvolvendo uma imagem negativa sobre si mesmas. A escola se torna um ambiente que causa ansiedade e as exigências dos pais e professores acabam se revertendo em
comportamentos agressivos, inibições e outros.
         As crianças disléxicas precisam olhar e ouvir atentamente, prestar atenção aos movimentos da mão enquanto escrevem e da boca quando falam para associar os fonemas aos seus sons e à sua escrita. É recomendada a montagem de “manuais” de alfabetização apropriada para pessoas com essas dificuldades. Além disso, o sucesso escolar de um disléxico está baseado em uma terapia multisensorial (uso de todos os sentidos), sempre combinando atividades que motivem o uso da visão, da
audição e do tato para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras.     
          Abaixo estão colocadas algumas atitudes que podem ajudar essas pessoas no processo de aprendizagem:
ü Usar folhas quadriculadas para matemática.
ü Usar letras com várias texturas.
ü Usar máscara para leitura de texto.
ü Evitar dizer que a criança é lenta, preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da classe.
ü Não forçar a criança a ler em voz alta em classe a menos que demonstre desejo em fazê-lo.
ü Suas habilidades devem ser julgadas mais em suas respostas orais do que nas escritas.
ü Sempre que possível, a criança deve ser encorajada a repetir o que foi lhe dito para fazer, isto inclui mensagens. Sua própria voz é de muita ajuda para melhorar a memória.
ü Revisões devem ser freqüentes e importantes.
ü Copiar do quadro é sempre um problema, tente evitar isso, ou dê-lhe mais tempo para fazê-lo.
ü Demonstre paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo,
principalmente quando você estiver ensinando a alunos que possam ser
considerados disléxicos.
ü Ensine-a quando for ler palavras longas, a separá-las com uma linha a lápis.
ü Dê-lhes menos dever de casa e avalie a necessidade e aproveitamento desta tarefa.
ü Não risque de vermelho seus erros ou coloque lembretes como “você precisa estudar mais para melhorar”.
ü Procure não dar suas notas em voz alta para toda classe, isso a humilha e a faz infeliz.
ü Não a force a modificar sua escrita, ela sempre acha sua letra horrível e não gosta de vê-la no papel. A modulação da caligrafia é um processo longo.
ü Use sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e
principalmente nas escritas.
ü Uma língua estrangeira é muito difícil para elas, faça suas avaliações sempre em termos de trabalhos e pesquisas.
Além do apoio da escola, as crianças precisam receber apoio em casa. Os pais e demais responsáveis devem ajudar a melhorar sua auto-estima, oferecendo carinho, sendo compreensivos e elogiando a cada acerto alcançado e encorajando a realização de tarefas em que se saiam bem e que podem ser estimulantes. As crianças também devem ser ajudadas em seus trabalhos escolares e não se pode permitir que seus problemas escolares impliquem em mau comportamento ou falta de limites.
          Para diagnosticar corretamente a dislexia, deve-se procurar a ajuda de profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e psicopedagogos. Não se espera encontrar todas as dificuldades numa única criança disléxica, mas a presença de pelo menos uma delas, associada às dificuldades de ler, pode fazer supor a existência de um quadro de dislexia. Os problemas podem ser avaliados através de um acompanhamento adequado e direcionado às condições de cada caso.
          Faz-se necessário adequar métodos e materiais que atendam o desenvolvimento da criança, bem como o acompanhamento e a observação para que se conheça as particularidades de cada um considerando o seu tempo e a sua construção de saberes.
          Para finalizar, é importante que se fale sobre o “dom da dislexia”. Quando um disléxico domina alguma coisa, ele a aprendeu tão bem que pode fazê-lo sem pensar sobre o que está fazendo. Dominar algo é realmente aprender algo. Se o processo de aprendizagem é o mesmo, então quando alguém dominou alguma coisa, esta pessoa criou conhecimento necessário para realizar aquela atividade.

BIBLIOGRAFIA:
AID (International Dislexia Association, 1994) apud IANHEZ, M. E.; NICO, M. A. Nem Sempre é o Que Parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.
ASSENCIO-FERREIRA, V. J. O Que Todo Professor Precisa Saber Sobre Neurologia. São José dos Campos: Pulso, 2005.
PAÍN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. 4ª ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 1992.
ROTTA, N. T. & GUARDIOLA, A. Distúrbios de Aprendizagem. In: DIAMENT, A., CYPEL, S. Neurologia Infantil. São Paulo: Atheneu, p.1062-74, 1996.

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